O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE CARGO E PERSONALIDADE

José Maria Ribeiro Junior

Valor Agregado Consultores

“A empresa do futuro terá um cachorro e um guarda.
O guarda estará lá para alimentar o cão.
O cão estará lá para não deixar ninguém tocar nas máquinas.”
Autor desconhecido

Vamos falar um pouco sobre questões relativas adequação cargo x personalidade.
As organizações são sistemas complexos. Elas possuem cada vez mais importantes papéis na sociedade, e considerando que são sistemas abertos, continuamente influenciam e são influenciadas pelo ambiente.
No plano formal das grandes estratégias empresarial concebe-se que estes objetivos são seguidos e compreendidos pelos indivíduos. Porém cada funcionário é um ser único, e, como organismos vivos e pensantes têm também necessidades, motivações e interesses próprios.
Estas questões, entre outras, fazem parte do contexto do comportamento organizacional, um significativo campo de estudos que investiga o impacto que indivíduos, grupos e estrutura têm sobre o comportamento nas organizações.
Neste texto iremos enfocar a questão da personalidade dos indivíduos. Trata-se de um tema importante, pois sabemos que a nossa maneira de ser influencia nossa conduta, a maneira de pensar e agir, bem como nossa produtividade nas Organizações.]

“Se todos fossem iguais a você que maravilha viver”
Antonio Carlos Jobim Vinicius de Moraes

O propósito do texto não é discutir os diversos conceitos de personalidade, mas sim fundamentá-la em seus aspectos determinantes: a hereditariedade, o ambiente e a situação.
Neste sentido podemos considerar que a personalidade é um conjunto de características biológicas, psíquicas e sociais que tornam o indivíduo único e impar.
Alias, individuo significa indivisível, organismo único, uno, distinguível dos demais do grupo.Vem do latim individúus. A palavra personalidade vem do latim, persona, que significa máscara. Os primitivos atores gregos e romanos usavam no palco máscaras de madeira com diversas expressões durante suas apresentações.
Podemos conceituar personalidade como sendo o conjunto de características que formam o alicerce para o comportamento de cada pessoa, e definir característica de personalidade, como sendo a predisposição ou tendência que uma pessoa tem de se comportar de determinada maneira.
A música de Jobim e Vinicius “se todos fossem iguais a você“ tem um sentido de licença poética, uma vez que se todos nós tivéssemos a mesma personalidade a convivência seria por demais monótona.
Foi Hipócrates, ( 460 A.C - 377 A.C. ) - considerado o pai da medicina - através dos fundamentos de sua prática, que definiu os quatro humores corporais dos indivíduos: colérico, melancólico, fleumático e expansivo.
Algumas pessoas preferem trabalhar em grupos, outras preferem ficar sozinhas, outras estão sempre a procura de desafios, alguns gostam de pescar, outros de jogar tênis. A nossa personalidade nos torna únicos. Cada pessoa encara suas experiências de vida conforme sua própria forma de ser, de acordo com sua personalidade.
Algumas teorias sugerem que a personalidade praticamente já esta formada aos 7 anos de idade, porém outras correntes defendem que há períodos críticos ao longo da vida que interferem na formação da personalidade, de forma que ela continua sendo alterada ao longo do tempo.
A personalidade se revela na forma de pensar, de se expressar, no tipo de interesse, e na maneira de lidar com situações diversas. Ela engloba uma mistura de características, atitudes, valores, crenças, que são únicas pra cada pessoa. A maneira de andar, de falar, a aparência, o tipo de conversa, fazem parte da personalidade e formam a essência do que somos.
Quando observamos uma floresta de longe, veremos inúmeras árvores aparentemente iguais. Porem quando nos aproximamos, veremos que nenhuma arvore é igual a outra. Da mesma forma acontece quando vemos uma multidão: vemos um grupo de pessoas aparentemente iguais, mas cada uma tem mundo próprio, uma maneira própria de ser.
Já que os traços de personalidade podem ser modificados à medida que o individuo interage com o meio, é de certo modo ingênuo rotular pessoas e querer predizer seus comportamentos com toda certeza.
As influências que a personalidade sofre do meio podem favorecer ou dificultar a ajustamento do individuo. Frustrações, traumas, pressões, stress, são alguns fatores que podem alterar a personalidade, desintegrando ou fortalecendo.
Para compreender a personalidade, a identificação dos traços psicológicos por si só não é suficiente. E preciso entender como eles se relacionam e interagem entre si, em função de determinadas situações.
Duas pessoas consideradas corajosas podem reagir de formas diferentes diante de uma situação de perigo, pois outros fatores pessoais podem atuar nesta situação, diferentemente para cada uma delas.
Gordon Allport (1961), elencou 4500 traços de personalidade. Raymond Cattel (1966), através de métodos estatísticas reduziu a lista para 16 dimensões básicas de personalidade, considerando-se que com eles seria possível fazer um a previsão de comportamento.
As características de personalidade dos membros das organizações influenciam sua estrutura, seu clima e a cultura. Quanto maior o nível hierárquico maior será a influencia. Estilos de comando são exercidos conforme as características de personalidade dos líderes. Esta influencia é determinante para o sucesso das Organizações. Ela pode ser altamente positiva ou arrasadora.
É de nossa personalidade que depende nossa motivação, estado de ânimo, rendimento no trabalho, manejo de conflitos, entre outros. Dessa forma as características de personalidade são importantes porque afetam significativamente o desempenho no trabalho. Alguns autores consideram que a maioria dos fracassos no cargo não é devido à inteligência ou à competência, mas a características de personalidade. Neste aspecto é importante haver uma adequação pessoa - trabalho.
Por exemplo, se uma pessoa tem que lidar constantemente com o publico, mas possui baixa sociabilidade, ela irá considerar seu trabalho um fardo penoso. Ao fim de cada dia estará estressada e cansada e na manhã seguinte chegará ao trabalho mal humorada. Também já se sabe que fatores estressantes têm relação direta com os acidentes de trabalho. A personalidade interfere na condição de saúde da mesma forma como faz com nosso comportamento, e sua ação pode ser favorável ou desfavorável.
Com o objetivo de adequar as pessoas aos seus cargos, as empresas utilizam testes de personalidade em seus candidatos. Eles podem ser úteis para avaliar as características pessoais de candidatos a emprego. O instituto Pieron utiliza a metodologia Insights, baseado na tipologia junguiana para identificar características de personalidade
As Organizações tem dado muita atenção à questão da personalidade na tentativa de ajustar o indivíduo ao seu trabalho. Holland (1985), propôs que a satisfação e a intenção de abandonar um cargo depende do grau de sucesso que o individuo atinge ao ajustar sua personalidade ao seu ambiente laboral. A questão da adequação do individuo na organização não se refere apenas ao trabalho em si, mas também à organização como um todo.

SUSTENTABILIDADE NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

José Maria Ribeiro Júnior

Valor Agregado Consultores


O conceito de sustentabilidade foi introduzido na década de 80 por Lester Brown com o significado de prover o melhor para as pessoas e para o ambiente tanto agora como no futuro, ou seja, suprir as necessidades da geração presente sem afetar as gerações futuras. Parece claro, que neste conceito as relações entre as pessoas estão presentes e tem uma dimensão importante. A qualidade das relações interpessoais tem influência no nosso modo de vida. Quanto maior a consciência do outro, mais respeito e cuidado eu posso desenvolver com relação ao outro. Para quem duvida, basta lembrar o absurdo da Eugenia (pseudociência do bem nascido criado por Francis Galton), dos horrores do Holocausto e da brutalidade dos crimes passionais.
O relacionamento humano é de fundamental importância para o desenvolvimento da pessoa porque ajuda a formar sua identidade. Todo relacionamento humano implica numa relação afetiva uma vez que é impossível manter uma relação com outra pessoa sem ter por ela algum tipo de sentimento (MORIN, 2009). A forma como este afeto se desenvolve vai determinar como será a relação entre essas pessoas, se elas serão autênticas, confiáveis, se vai ser uma relação duradoura, efêmera.
Para Rogers (1995) a autenticidade é uma característica essencial às relações humanas positivas:
“nas minhas relações com os outros descobri, com o andar do tempo, que de nada me serviria agir como se eu fosse alguém que não sou. Não me ajuda em nada agir de uma maneira compreensiva quando procuro, no fundo de mim mesmo, manipular a outra pessoa, não compreende-la. Não me serve para nada agir com calma e de maneira agradável quando estou, na verdade, chocado e quando desaprovo alguma coisa, não me ajuda em nada agir como se eu fosse permissivo, quando tenho francamente vontade de traçar limites.”
Ser autêntico significa ser aceito como realmente se é, ou seja, assumir os pensamentos, competências, crenças, valores, limites. A partir da própria aceitação, o individuo terá condições de aceitar o outro. A possibilidade de mudança só existe a partir do momento em que o indivíduo se aceita como é. Porem, além da autenticidade, é importante saber quanto a pessoa está disposta a se mostrar ao outro.
Nos ambientes organizacionais podemos identificar três tipos básicos de relacionamento entre as pessoas: o nível da lógica (no sentido do pensar), o do sentir, e o do ser.
O nível da lógica é o nível de relacionamento que trata dos negócios, das metas, dos objetivos, dos problemas referentes ao trabalho em si. Este tipo de relacionamento ocorre na maior parte do tempo nas organizações.
Entretanto, para algumas pessoas de minha relação, além de falar sobre o trabalho em si, eu posso manifestar o que estou sentindo com relação a este trabalho, ou a uma situação especifica. É natural que uma pessoa tenha sentimentos no dia da dia de trabalho, entretanto ela não manifestará abertamente este sentimento, apenas para pessoas com as quais se sinta à vontade e tenha confiança. Portanto, a manifestação dos sentimentos não é tão aberta como no caso de conversas “lógicas” sobre o trabalho em si. Finalmente, para um grupo mais seleto ainda, a pessoa pode expressar os sentimentos e dizer por que tem este tipo de emoção; poderá falar de seus valores, princípios, crenças, filosofia de vida, e então poderá se mostrar como ela é.
Para que as relações entre as pessoas seja sustentáveis não significa dizer que todas deverão falar do “ser”, uma vez que o que determina que as relações entre as pessoas sejam sustentáveis é a dimensão do respeito e da aceitação mutua. É importante salientar que a aceitação e o respeito não significam gostar e aprovar; pode-se aceitar uma pessoa como ela é, mas desaprovar completamente seus comportamentos.
Outra questão fundamental para o desenvolvimento de relações sustentáveis é a empatia e a necessidade de aprender a conviver com diversidades.
Empatia é a capacidade de perceber emoções e pensamentos do outro. Empatia não quer dizer a avaliação fria do que o outro sente ou pensa. A empatia acontece quando sentimos uma reação emocional provocada pela emoção do outro. Significa que, se você sabe que seu amigo sente dor e ficar indiferente, isto não é empatia. Se você sentir vontade de fazer algo para ajudar seu amigo, isto é empatia. A empatia impede você de ferir os sentimentos alheios e garante que você veja as pessoas com seres humanos, com sentimentos e não como objetos de uso para satisfazer suas necessidades e desejos.
A empatia tem dois elementos principais: componente cognitivo e componente afetivo. O componente cognitivo significa a compreensão dos sentimentos do outro. O componente afetivo significa dar uma resposta emocional apropriada ao estado emocional da outra pessoa. A compaixão é um tipo de resposta empática onde, ao mesmo tempo, se responde emocionalmente à aflição do outro e se sente o desejo de aliviar seu sofrimento, ainda que não seja possível.
Diversidade significa aceitar o outro tal como ele é, e todos nós sabemos o quanto isto é difícil principalmente por questões preconceituosas, pois é muito difícil assumir que temos preconceitos. Numa pesquisa realizada por uma universidade sobre preconceito, no quesito “você tem algum preconceito?” obteve 100% de “não”. Quando perguntados se conheciam alguém que tivesse preconceito, obteve 70% de respostas positivas.
Se não bastassem os pontos citados acima, temos que levar em consideração também, o fato de como percebemos a outra pessoa. Kant dizia que nós não percebemos o mundo como ele é, mas sim como nós somos. Significa dizer que o outro é visto de várias maneiras dependendo de quem olha. O que se vê no outro depende da forma de olhar, dos interesses, das motivações, das expectativas, do que você quer ver.
Ora, quando se vê o outro, é possível observar apenas suas ações, comportamentos, que é a parte visível dos seres humanos. Entretanto nunca saberemos por que a pessoa age do jeito que age, porque faz o que faz. O que podemos fazer são apenas suposições e conjecturas a respeito do porque tal pessoa se comporta de determinada maneira. Estas suposições fazem que se crie uma imagem da pessoa que não é exatamente o que ela é. Portanto, quando estou me relacionando com o outro, estou me relacionando com a imagem que eu tenho deste outro. E o outro, por sua vez, também esta se relacionando com a imagem que ele tem de mim. Mas a confusão não para por ai. Quando eu estou me relacionando com a imagem que eu tenho do outro, eu de fato me relaciono com a auto-imagem que eu tenho de mim mesmo para com este outro. Portanto quando duas pessoas estão interagindo, de fato são seis! Às vezes, a tendência das pessoas é estereotipar a imagem que fazem do outro, e aí fica mais difícil perceber se a pessoa esta mudando.
Os conceitos da janela de Johari sobre processos de dar e receber feedback podem ajudar a exemplificar os conceitos acima.
Como já dizia Guimarães Rosa:
“O importante no mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando afinam e desafinam”.
É preciso estar atento para perceber que as pessoas não estão sempre iguais, que afinam e desafinam, em função de seus motivos, percepções, expectativas, necessidades, medos, desejos, objetivos, e nem sempre elas mesmo tem consciência disso.

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